Bem-vindos de volta a Sicília!
Seguimos nossa aventura pelo sul da Itália em um motorhome, mas calma!!!
Se você caiu aqui de paraquedas e está pensando “como assim, de volta?”, deixa eu te situar rapidinho.
No capítulo anterior, começamos uma viagem pela Itália com um objetivo bem simples (e ao mesmo tempo profundo): viver e conhecer o país de verdade (Já estive na Itália no ano passado, mas estavamos ao norte que não tem essa alma que o Sul carrega). Sentir as pessoas, provar a comida, explorar a história e mergulhar nessa ilha que é praticamente um museu a céu aberto.
Se você ainda não leu a primeira parte, vale muito a pena começar por lá:
Guia Especial Sicília, Sul da Itália 2026: 1ª Parte
O que você vai encontrar na 1ª Parte do artigo?
- Como encontrar passagens
- Como alugar um motorhome na Itália
- Dicas práticas de roteiro pela Sicília
- E os primeiros destinos da viagem (até Agrigento)
Agora, seguimos exatamente de onde paramos.
Então pega um vinho italiano, relaxa… e vem com a gente até o final dessa jornada.
Porque, no fim das contas, viajar não é sobre carimbar passaporte é sobre colecionar memórias.
Sciacca: uma parada breve, mas cheia de charme

Lembram que nossa última parada foi Agrigento, onde visitamos os templos romanos em ruinas?
Pois bem, após Agrigento, nós saímos em direção a Sciacca, uma pequena cidade costeira no sudoeste da Sicília, entre o Vale dos Templos e Selinunte.
Muita gente passa direto e quase fizemos o mesmo.
Mas mesmo com o céu fechado e o vento vindo forte do Mediterrâneo, Sciacca surpreendeu.
No porto, barcos de pesca coloridos balançavam lentamente enquanto pescadores organizavam suas redes. Subindo pelas ruas estreitas, chegamos até a praça da catedral e encontramos uma Sicília mais silenciosa… quase introspectiva.
Sem multidões. Sem pressa.
Um dos grandes destaques foi a cerâmica local vitrines cheias de peças coloridas que dão à cidade uma identidade artística única.
Foi uma parada rápida… mas daquelas que ficam.
Seguimos direção para Mazara del Vallo, 60km 50 min na nossa Van.



Mazara del Vallo: a Sicília com alma africana

Nem tudo no roteiro foi planejado e ainda bem.
Seguindo pela costa oeste, fizemos uma parada inesperada em Mazara del Vallo, uma cidade que revela um lado completamente diferente da Sicília.
Com forte influência do norte da África, o lugar tem uma identidade cultural única.
O grande destaque?
O bairro da Kasbah
Um verdadeiro labirinto de ruas estreitas, com um pedaço de cultura norte Áfricana diferenciada.
Cada esquina parecia contar uma história, com arquitetura árabe, mosaícos coloridos, e arte urbana espalhada pelas paredes.
No centro, visitamos a Cattedrale del Santissimo Salvatore, localizada na Piazza della Repubblica. A fachada barroca contrasta lindamente com as ruas antigas ao redor.
Outro fato interessante: Mazara abriga uma das maiores frotas pesqueiras da Itália o que explica essa conexão profunda com o Mediterrâneo.




Marsala: calmaria, vinho e vida sobre rodas
Cerca de 25km e chegamos a Marsala, onde passamos a noite.
Ficamos no: Lilybeo Village Camping & Residence
Se você está viajando de motorhome pela Sicília, esse lugar é uma excelente base, tranquilo, organizado, bem localizado.
Estacionamos, e preparamos ali mesmo o nosso jantar jantar dentro da van, (um dos maiores prazeres desse estilo de viagem) e curtimos a noite calma do inverno siciliano.
Dali fomos a um pequeno passeio na cidade onde descobrimos que Marsala também carrega uma tradição que vai muito além das paisagens: o famoso vinho que leva o nome da cidade.
Sua história começa no final do século XVIII, quando o comerciante inglês John Woodhouse chegou à região e percebeu o potencial daquele vinho local. Para que a bebida resistisse às longas viagens marítimas até a Inglaterra, ele adicionou álcool vínico, criando um estilo fortificado semelhante ao vinho do Porto.
O resultado fez sucesso imediato entre os ingleses e colocou Marsala no mapa mundial.
Com o tempo, outras famílias e produtores locais aperfeiçoaram a técnica, transformando o vinho em um verdadeiro símbolo da Sicília. Até hoje, ele é apreciado tanto como aperitivo quanto em sobremesas, carregando consigo séculos de tradição e história.
E assim finalizamos nosso tempo em Marsala, sem pressa, sem roteiro rígido.
Apenas presença e sentimentos.
Saline dello Stagnone e Mozia: história no meio do mar

No dia seguinte, após acordarmos e deliciarmos um pãozinho feito ali mesmo no camping, seguimos viagem para um dos cenários diferente da viagem: Saline dello Stagnone
Uma paisagem que parece que você se encontra em uma parte da Holanda, porém vai além disso, foi possível ver moinhos de vento, água rasa refletindo o céu e um silêncio absoluto.
Nós pagamos para ver o que tinha do outro lado além dos moinhos e do sal ao redor Stagnone, este barco nos levou até a ilha de Mozia (Isola di San Pantaleo) para visitar o Museo Whitaker.
Esse lugar tem uma história interessante:
A ilha de Mozia foi um importante assentamento fenício, fundado por volta do século VIII a.C., e funcionava como um ponto estratégico de comércio no Mediterrâneo. Caminhar por ali é como voltar no tempo, ruínas antigas, caminhos de pedra e um silêncio quase sagrado. O museu guarda peças arqueológicas fascinantes, incluindo a famosa escultura do “Jovem de Mozia”, que revela a sofisticação artística daquela civilização.
Para chegar até lá basta chegar a Saline dello Stagnone e bem ali há um senhor que vende os bilhetes para você que quer ir a ilha de Mozia, sim Mozia também paga para ser visitada, mas são preços significativos que te trazem boas histórias.

Trapani e Erice: do mar às nuvens


Deixamos para traz a graciosa e não tão atrativa ilha de Mozia e seguimos para Trapani, uma cidade costeira com uma vibe tranquila e autêntica.
Passeamos pelo centro e visitamos:
Museo Civico Torre di Ligny (uma das melhores vistas do mar da região)
Para o almoço, escolhemos: Taverna dei Pazzi, Simples, local e delicioso.
Depois, subimos para Erice e tudo mudou, literalmente, básicamente uma pequena vila no topo de uma montanha, e ao chegar la nos deparamos com uma névoa que cobria a cidade, ruas de pedra e uma atmosfera medieval.
Erice parece cenário de filme.


Apesar da pequena neblina que cobria a cidade o visual compensava cada segundo.
Provei um vinho local parece um licor, e sim vale a pena provar…
Após saírmos de Erice, decidimos seguir viagem para San Vito Lo Capo, um lugar que estava no meus desejos; claro, a viagem não tinha roteiro certo mas tinha destinos dos quais nós queríamos conhecer e um dele foi esse lugar incrível que marcou a viagem tambem.
San Vito Lo Capo: uma manhã inesquecível
Este lugar provavelmente no verão deve ser um dos mais visitados da ilha, sim tem um mar lindo, um farol incrível, e ao redor montanhas para fazer trilhas (não num calor de 40ºC).
Decidimos que iríamos caminhas pela cidade para descobrir, o que eu não sei, mas foi lindo ver as montanhas ao seu redor e com certeza deve valer a pena visitar no verão. Então caminhamos por ali e logo decidimos voltar para o meio da estrada e achamos um lugar que podíamos passar a noite, e foi em meio a um vale com o mar bem a nossa frente.
O vento nas montanhas era tão forte que, por alguns momentos, parecia que o motorhome ia sair do chão.
Mas no dia seguinte… Tudo fez sentido, acordamos com a brisa do mar, monhas rochosas que davam um visual incrível para o nosso desperar, além é claro a luz do sol.
Foi um daqueles momentos que marcos a viagem, a aventura de dormir com o carro balançando o barulho do vento, e eu juro minha gente, não era um ventinho, parecia que o carro ia mesmo voar, mas tudo valeu super a pena. E para nós que adoramos uma aventura foi perfeito.
No dia seguinte decidimos que iríamos visitar termas, o sol estava por volta ao céu de 18ºC, e foi perfeito.

Termas naturais e chegada a Palermo
Seguesta tem um spa natural, sim, mas não é na cidade, ela fica a 10km.
A água do rio termal de Segesta infiltra-se profundamente nas rochas porosas e entra em contato com as altas temperaturas do magma subterrâneo, atingindo cerca de 47°C. Suas águas sulfurosas e alcalinas são eficazes contra doenças de pele e também têm efeito benéfico sobre o reumatismo e o trato respiratório.
Existe também uma história mitológica por trás do calor das águas das termas de Segesta. Segundo os primeiros gregos que habitaram a região, a divindade fluvial Krimisòs elevou a temperatura da correnteza para aquecer a ninfa Egesta, que fugia da cidade de Troia após sua destruição. Os refugiados troianos teriam escolhido o local justamente pela presença do rio e pelas propriedades medicinais de suas águas termais.
Visite esta página para mais informações.
Como chegar no Spa Natural da Seguesta
Águas termais naturais ao ar livre, criando um contraste incrível com o frio do inverno. Prepare-se pois o caminho parece estranho e você deve atravessar um pequeno rio de água fria para chegar ao lugar, e sim vale super a pena. É Simples, autêntico e perfeito.
Palermo: caos, história e intensidade

O nosso destino estava marcado para chegarmos a Palermo e a então encontramos uma energia de cidade grande, muito turismo, mas ainda assim com uma vibe Sicicliana de ser. A cidade de Palermo por si só é intensa, vibrante e cheia de história.
História
A Sicília árabe-normanda é o resultado de uma fusão cultural e artística ímpar entre os mundos ocidental, islâmico e bizantino. Esta sinergia desenvolveu-se entre os séculos XI e XII, quando os reis normandos integraram a sofisticada administração, a arte e a arquitetura mouriscas herdadas do antigo Emirado Islâmico da ilha.
Património Mundial da UNESCO
O apogeu deste sincretismo está preservado em nove estruturas monumentais agrupadas sob a chancela da UNESCO, que abrangem edifícios cívicos e religiosos:
Palácio dos Normandos e Capela Palatina (Palermo): O coração do poder normando, que ostenta impressionantes mosaicos bizantinos combinados com um teto de madeira em estilo muçulmano.
Catedral de Palermo (Palermo): Uma estrutura que sintetiza séculos de dominações, unindo elementos islâmicos, normandos e góticos.
Igrejas de San Giovanni degli Eremiti e San Cataldo (Palermo): Reconhecíveis pelas suas cúpulas vermelhas brilhantes, que refletem a arquitetura de influência norte-africana.
A Ponte do Almirante (Palermo): Uma obra de engenharia medieval excecional mandada construir pelo almirante Jorge de Antioquia.
Castelo da Zisa (Palermo): Um palácio de veraneio dos reis, projetado para ventilação natural com características típicas da arquitetura palaciana islâmica.
Encontramos uma cidade onde todas influências Sicilianas se encontram, o estilo árabe, normanda, e espanhola.
Ao chegarmos devidimos então visitar alguns pontos, como:
Cattedrale di Palermo
Igreja Santa Maria della Pietà
Chiesa di Santa Maria degli Angeli (la Gancia)
Ao visitar a cidade tambem aproveitamos fazer uma parada num ponto muito interessante, que era o restaurante Taverna dei Canti um dos grandes destaques gastronômicos da viagem, e claro decidimos também comer as comidas de rua, os famosos arancini e também algumas tapas, que são basicamente aqueles pratos que misturam um pouco de tudo.
Passamos um dia e meio na cidade, foi o suficiente para ver a rua principal, a catedral e suas igrejas, o teatro municipal e demos uma pequena olhada no mar ao redor da cidade.


Cefalù e Taormina: cenários de cartão-postal

Após passarmos uma noite em um estacionamento que aceitava as nossas condições, e saimos em direção a Cefalú e Taormina, duas pequenas cidadezinhas charmosas e com paisagens lindas, não ha muito o que fazer, se você não for curioso como nós, ha sempre algo nessas cidades escondido, uma casa de arte, um padaria antiga onde se faz pão da maneira antiga, enfim descobrimos coisas que não da pra detalhar, porque se não vocês não le o artigo todo.
Cáfalu por exemplo não tem muito para se ver, mas ha uma vista perfeita, para quem quer fazer uma escalada ate o topo do pico da monta atras da cidade, nós por acaso não quisemos, pois estavamos na estrada e preferiamos deixar nossas energías para a próxima cidade.


Encontramos uma Cefalu charmosa, quieta e sobretudo uma arquitetura maravilhosa, com um mar lindo a frente.
Mais adiante, chegamos a Taormina, onde visitamos o Teatro Greco di Taormina um dos lugares mais impressionantes da Sicília, com vista para o mar, e o Monte Etna e que vista gente. Valea pena visitar e mergulhar nesta pequena e charmosa cidade. Passamos pela cidade num domingo no final da tarde tinha uma vibe maravilhosa.
Simplesmente inesquecível.




Última noite sobre rodas, de volta a Catânia
Voltamos para Catania pra fechar o circuito. A última noite no motorhome teve um gosto diferente das outras. Aquele tipo de cansaço bom, misturado com a satisfação de saber que cada quilômetro valeu. A viagem tinha sido exatamente como deveria ser, e a gente sabia disso sem precisar dizer.
O final que ninguém esperava: um trem dentro de um barco
Se eu te contar que nosso último trecho foi dentro de um trem que entrou dentro de um barco, você acredita?
Saímos de Catânia de ônibus até Messina. E ali começou a parte mais surreal da viagem inteira.
O Estreito de Messina separa a Sicília do continente italiano por poucos quilômetros, mas com águas profundas e correntes fortes. Décadas de tentativas de construir uma ponte, nenhuma concretizada. A solução que inventaram lá no início do século XX foi tão maluca quanto genial: enfiar o trem inteiro dentro de um ferry.
E é isso que acontece até hoje. Os vagões são desacoplados, posicionados com cuidado dentro do barco e transportados pelo mar entre Messina e Villa San Giovanni. Enquanto isso, você sobe pro convés, sente o vento, olha o mar aberto. O trem viaja com você, mas por uns minutos ele não é mais trem. É barco. É viagem marítima.
Tem algo poético demais nisso pra explicar com palavras. Você precisa sentir.
A Sicília que ninguém mostra
Essa travessia fechou nossa jornada. Mas o que ficou não foram os pontos turísticos. Foram as sensações.
A gente encontrou uma Sicília diferente daquela dos cartões-postais de verão. Sem multidões, sem pressa. Ruas silenciosas, mar forte e profundo no inverno, cidades históricas que parecem respirar no ritmo do tempo. Mais crua. Mais autêntica. Mais real.
Caminhar por vilas quase vazias, estacionar à beira do mar, acordar com o som do vento e das ondas. Isso cria uma conexão com o lugar que nenhum resort cinco estrelas consegue reproduzir.
Viver sobre rodas
Motorhome não é só um jeito de viajar. É um jeito de viver. Você escolhe onde parar, onde dormir, quando seguir, quando ficar. Sem check-in, sem horários. Só estrada, curiosidade e liberdade.
Tem desafios, claro. Vento que quase vira a van na montanha, noites mais frias do que o previsto, planos que mudam de última hora. Mas são exatamente esses momentos que ficam. Cozinhar o próprio jantar dentro da van, dormir ouvindo o mar, acordar com uma vista que não existia ontem. Isso muda a forma como você enxerga o mundo.
Um convite aos leitores
Se existe uma forma de conhecer a Sicília de verdade, é assim: devagar, sem pressa, com liberdade.
Se você tá pensando em fazer algo parecido, vá. Mesmo que pareça incerto. Mesmo que não seja perfeito. Porque são justamente essas viagens que ficam.
Obrigado, Sicília. Pelas estradas, pelo vento, pelo silêncio, pelo vinho, pelas histórias. Por ser intensa, imprevisível e inesquecível.
E agora, é hora de partir. Próximo destino? Se você tem um palpite, deixa nos comentários







