Primeira viagem à Europa passando por Munique, Paris e Berlim
Tudo começou quando as coisas no Brasil já não iam lá muito bem.
A pandemia seguia firme, eu tinha um trabalho até legal, mas dentro de mim… algo faltava.
Era como se o corpo estivesse aqui, mas a cabeça já quisesse voar para outro lugar.
Pra vocês entenderem direitinho essa história, preciso voltar um pouco, para a minha primeira viagem para esse continente chamado Europa.
O primeiro empurrão do destino
Em 2018, uma amiga minha tinha se mudado pra Alemanha e, do nada, puff… sumiu do mapa!
Mas, como boas amizades sobrevivem até à distância e ao fuso horário, a gente se reconectou.
Entre papos e risadas por chamada de vídeo, ela começou a me chamar pra visitá-la.
E o mais engraçado? Ela falava como se fosse ali do lado, tipo eu na Zona Sul e ela me chamando para a Zona Leste.
“Vem pra Alemanha!”, como quem diz: “passa aqui em casa pra um café”.
A ideia ficou martelando na minha cabeça.
Na época, eu trabalhava no Carrefour (supermercados), ganhando aquele salário que mal dava pra sobreviver, vocês sabem, né?
Mas como eu ainda morava com a minha mãe, a gente dividia as contas, e isso me deu uma chance de sonhar um pouco mais alto.
Aproveitei que, em 2019, eu tinha conseguido férias no Natal e Ano Novo (milagre!) e pensei:
“É agora ou nunca!”
Comecei a economizar cada moedinha, tirei o passaporte, procurei passagens, li mil blogs, vi trocentos vídeos e… lá estava eu, com tudo pronto e uma mensagem pra minha amiga:
“Patrícia, eu tô indo te visitar!”
E foi assim que nasceu a primeira grande aventura da minha vida e a semente de tudo o que viria depois.
Chegada em Munique – A vida (e o frio) na Baviera
Minha primeira parada foi Munique, na Baviera.
Imagina só: eu, um baiano criado em São Paulo, chegando num lugar onde o frio parece ter personalidade própria.
A viagem foi cansativa: mais de 15 horas entre voos e conexões, passando por Madrid. Costas doendo, olheiras e uma animação fora do comum.
Mas a empolgação era tanta que o cansaço ficou pra trás.
Cheguei em Munique no dia 4 de dezembro de 2019, por volta das 8 da noite.
Patrícia me recebeu com aquele abraço que parece dizer: “Agora a vida vai mudar”.
E mudou mesmo.
Detalhe: antes mesmo dela saber, eu já tinha comprado passagens pra Paris e Berlim.
Quem me conhece sabe: eu não sei parar quieto.


Primeiras impressões da Baviera
A Alemanha é fria no clima e um pouquinho nas pessoas também (essa foi a minha primeira impressão lá em 2019).
Mas Munique é encantadora: rica em história, cheia de tradição e, olha… caríssima.
A Baviera é uma das regiões mais prósperas do país, com sua herança católica e aquele jeitinho conservador europeu.
“Quem converte não se diverte”, dizem. Errado.
Quem não planeja é que passa aperto.
Por sorte, fiquei hospedado na casa da Patrícia, o que já ajudou (e muito) no orçamento.
Mesmo assim, aviso aos navegantes: se em 2019 Munique já era cara, hoje é o dobro!
Passei uma semana explorando a cidade: o Jardim Inglês (Englischer Garten), a Neues Rathaus (a prefeitura lindona da cidade), bares típicos, cafés acolhedores…
E o mais engraçado? Eu estava completamente sem internet, porque não comprei chip local.
Ou seja: perdido, mas feliz!
Transporte público impecável, ruas limpas, tudo funcionando.
Mas sim, pra um latino caloroso como eu, aquele povo mais “fechado” é um choque cultural e tanto.
Seguindo viagem: França à vista
Dali, segui viagem pra Paris, a primeira vez pegando um trem na Europa.
E, claro, drama alert: perdi o trem!
Meu inglês ainda era capenga, mas com muito gesto, um sorrisinho simpático e uma boa dose de sorte, consegui explicar a situação pra atendente da estação.
Ela carimbou meu bilhete, desejou boa sorte e pronto: Paris me aguardava.
Fiquei hospedado no St. Christopher’s Inn – Canal St. Martin, um hostel maravilhoso e perfeito para um viajante solo.
Fiz amigos do mundo todo: brasileiros, franceses, romenos, tanzanianos… parecia uma ONU alternativa.
E o melhor? O hostel tinha um bar e até um club no subsolo.
Ou seja, diversão garantida sem nem precisar sair.
Paris me arrebatou.
A Torre Eiffel, o Arco do Triunfo, o Moulin Rouge, o Sacré-Cœur, o Louvre… cada lugar tinha um encanto próprio.


Mesmo com greve, frio e caos, nada tirou o brilho da cidade.
Foram cinco noites mágicas e, quando deixei Paris, deixei também um pedaço do meu coração e um bocado de amizades incríveis.
Berlim: onde o passado e o presente se encontram
Próxima parada: Berlim.
E olha… se Munique é certinha, Berlim é pura liberdade.
As pessoas são mais abertas, a arte está em cada esquina e a história… ah, a história pesa.
Visitar os memoriais, os museus, o Parlamento e os canais foi emocionante.
Mas também dancei, me diverti e provei comidas diferentes, como a turca que, aliás, é quase uma instituição por lá.


Fiquei três noites na cidade e saí com a sensação de que Berlim tem uma energia única — meio rebelde, meio poética.
Voltando pra casa (mas com a cabeça na Europa)
Depois do Natal e Ano Novo com minha amiga, chegou a hora de voltar.
Doía. Parecia que eu estava acordando de um sonho.
Patrícia, como boa conselheira, me disse:
“Volta, estuda, se prepara. O mundo vai te esperar.”
E ela tinha razão.
Voltar pro Brasil foi duro.
Ver a realidade de perto, o contraste, a sensação de que a vida lá fora ainda me chamava…
Mas dessa vez eu voltei com um plano: me preparar para não voltar mais de passagem, e sim pra ficar.
Em 2020, enquanto o mundo parava com a pandemia, eu decidi mudar o meu mundo.
Comecei a estudar inglês, mergulhei em séries, músicas e filmes e, aos poucos, a ideia de imigrar deixou de ser sonho e virou meta.
E o resto da história?
Ah, o resto vocês vão descobrir aos poucos aqui no Diário de um Imigrante.
Porque viver fora não é conto de fadas, é uma montanha-russa com perrengues, risadas e lições que a gente leva pra vida.
Mas tudo começou ali, com uma passagem pra Munique e uma vontade enorme de mudar tudo.
E você, já pensou em largar tudo e recomeçar em outro lugar?
Conta aqui nos comentários: qual parte dessa história te deu mais vontade de arrumar as malas?
Nos vemos no nosso próximo artigo, byeeeee.







