Oi, minha gente linda, como vocês estão?
Esse é o primeiro post do meu blog e, sinceramente, ele demorou a nascer. Não por falta de vontade, mas porque eu queria que fosse do meu jeito: simples, com pequenos detalhes, imperfeito talvez, mas verdadeiro, assim como eu. Ainda vai mudar muito ao longo do caminho, eu sei, mas espero que vocês cheguem com o coração aberto, leiam com calma, curtam e, se fizer sentido, compartilhem. Essa história é minha, mas talvez um pedacinho dela seja seu também.
O título já diz bastante sobre mim. Eu não vim de privilégios. A vida me ensinou a ser forte e muitas vezes sozinho, desde cedo. Cresci com a presença firme de uma mãe que me deu educação, sustento e valores. Por muito tempo, vivi dentro de uma bolha que eu mesmo criei, até entender que a vida era muito maior do que aquele espaço seguro onde eu me escondia.
Sou baiano, nascido em Sátiro Dias, uma pequena cidade do interior da Bahia, mas cresci, até os sete anos, em um lugar ainda mais difícil de explicar: Bela Vista. É daquelas cidades que quase ninguém conhece, ali pertinho do sertão, e eu tenho orgulho disso. Foi lá que estudei pela primeira vez e onde comecei a amar a escola.
Naquele tempo, meu “pai” ainda estava presente, até que se mudou para São Paulo. Alguns meses depois, minha mãe e eu fomos atrás dele, começando uma nova jornada na cidade grande.
Cresci em meio às comunidades da zona sul de São Paulo. A gente mudava muito: Jardim Ângela, Interlagos, Grajaú… até que, por volta dos meus dez anos, finalmente nos firmamos em um lugar. Foi ali que terminei os estudos, fiz amigos para a vida toda e cresci de verdade. Também foi ali que, mais tarde, deixei minha família para seguir meu próprio caminho.




Sempre estudei em escola pública e tenho muito orgulho disso. Sempre gostei de estudar, de tirar boas notas, apesar de que, no fim do colegial, virei aquele adolescente rebelde clássico. Repeti alguns anos e terminei a escola mais tarde, não porque eu não fosse capaz, mas porque queria ser independente, não depender da minha mãe para tudo. Comecei a trabalhar cedo; aos doze anos eu já estava trabalhando. Queria minha própria vida, meu dinheiro, meu espaço e, mesmo tropeçando, nunca deixei de querer conquistar algo maior.
Foi entre os onze e doze anos, quando meus pais se separaram, que ganhei uma certa “liberdade”. Nessa fase, conheci a religião mórmon e, de certa forma, foi ali que nasceu meu interesse pelo inglês. As atividades eram divertidas, o ambiente era acolhedor… mas não era exatamente eu ali. Eu estava escondido. Ainda assim, aprendi muito.



Aos quinze anos, me assumi homossexual e tudo mudou: mudou a forma como eu via o mundo e, principalmente, como o mundo passou a me olhar. Naquela época, ser gay era andar pisando em ovos o tempo todo. Para alguns, minha coragem era admirável; para outros, uma afronta. Mas eu não me fechei. Continuei sendo eu, debochado, às vezes esnobe, louco, diferentão, e foi assim que fui conquistando meu espaço.
Trabalhei como cabeleireiro, pensei em largar a escola para trabalhar, mas entendi que concluir os estudos era necessário. No meio do caminho, levei pedradas, literalmente, fugi de skinheads e cheguei em casa muitas vezes fora de mim. Eu avisei: adolescência fora do comum. Aprendi a tocar violão, vivi coisas das quais não me orgulho tanto, mas que fazem parte da história que me moldou. Era preciso viver, sentir na pele, para entender.
Cresci tentando compreender por que o mundo que eu via nas revistas, na TV e no rádio parecia tão distante da minha realidade, quase inalcançável. Mas, lá no fundo, eu sabia: estudando, aprendendo, eu poderia chegar onde quisesse.
Crescer sem pai me ensinou responsabilidade cedo. Me ensinou a ajudar minha mãe, a participar da criação do meu irmão, que também cresceu sem um pai presente, e tenho muito orgulho disso. Crescer sem uma família estruturada me ensinou a observar o mundo com atenção: a sociedade, os movimentos, as trocas, as experiências. Ser um adolescente rebelde me ensinou a questionar, a errar, a me arrepender e, às vezes, a errar de novo, mesmo com minha mãe puxando minha orelha muitas vezes. (Espero que eu tenha aprendido, né, mãe?)
Uma coisa é certa: cada mudança me ensinou algo. O mundo não é gentil com quem espera permissão.
Esse blog nasce para registrar o que ninguém costuma contar:
que mudar de vida dói,
que aprender cansa,
que imigrar isola,
mas que continuar curioso salva.
Se você sente que não nasceu no lugar certo, talvez não seja o lugar. Talvez seja só o começo.
Bem-vindo ao Trevor pelo Mundo.
Uma resposta
Essa é a fase da decisão , aonde vc decide qual caminho quer seguir..