Ser diferente é mesmo uma vantagem?
Essa é uma pergunta que pode ser difícil de responder quando você cresce sendo empurrado para dentro de um padrão: estudar, trabalhar, ter uma namorada, casar, pensar em filhos e, eventualmente, construir a tal família tradicional que a sociedade vende como o único caminho possível.
Para mim, isso nunca fez muito sentido.
Nunca me vi ocupando esse espaço, talvez pelos exemplos que tive ao meu redor. Cresci vendo relacionamentos quebrados, traições normalizadas, homens vivendo duas vidas enquanto mulheres eram obrigadas a aceitar tudo em silêncio. Vivi isso dentro da própria família. Vi o machismo acontecer diante dos meus olhos e, por muito tempo, fui obrigado a engolir aquilo como se fosse normal, até que minha mãe colocou um ponto final nessa história e seguimos em frente.
Foi ali que algo mudou dentro de mim.
Ao lado da minha mãe, encontrei liberdade e confiança e, pela primeira vez, senti que podia ser diferente sem precisar pedir desculpas por isso. Eu sabia que aquele caminho teria um preço, e olha, teve mesmo, e não foi barato. Quem leu o artigo anterior sabe exatamente do que estou falando. As pedradas da vida vieram, literais e simbólicas, mas, em vez de me fazer desistir, elas me ensinaram algo essencial: usar a diferença a meu favor era inteligência, não fraqueza.

E foi exatamente isso que comecei a fazer.
Claro que eu errei, tropecei muitas vezes, me deixei levar por pensamentos pequenos, ouvi vozes que não deveria ter ouvido e tentei caber em lugares que nunca foram feitos para mim. Alguns amigos que estão lendo isso agora devem estar pensando: “Nossa, o Trevor errou mesmo.” E erraram junto comigo, faz parte. Tudo isso foi processo.
Demorei para perceber o quanto de tempo eu tinha perdido apenas existindo, apenas passando os dias, sem direção, sem me permitir ir além. Mas, quando acordei, algo dentro de mim já tinha mudado.
Ser diferente me deu a maior vantagem que alguém pode ter: a capacidade de me conectar.
Conectar com pessoas de todas as raças, crenças, histórias e realidades, pessoas livres e presas, parecidas e completamente opostas a mim. Aprendi a abraçar diferenças, a socializar sem medo, a criar alianças reais. Talvez isso seja dom, talvez seja energia, talvez seja sobrevivência, mas é a vantagem que eu levo comigo pela vida.
Foi essa diferença que me levou a conhecer o mundo, que me conectou a outros lugares, idiomas, culturas, pessoas, almas e amizades que transformaram quem eu sou. Ser diferente abriu portas que eu nem sabia que existiam.
E é por isso que hoje eu afirmo, sem medo:
ser diferente foi e continua sendo a minha maior vantagem.

Eu gosto de ser assim, isso vive em mim.
E você, já se conectou comigo?
Esse blog está só começando. Ainda há muitos caminhos para percorrer, muitos itinerários para compartilhar, muitas histórias para revelar e, se você chegou até aqui, faz parte desse início.
Me conta nos comentários: sobre quais assuntos você gostaria de me ver escrevendo mais?
Você também já foi diferente, pensou fora do padrão, se atreveu de algum modo e não se arrependeu? Ou talvez, depois desse texto, você passe a olhar a vida fora da caixa. Me conta tudinho.
Vocês me ajudam a fazer esse espaço crescer?
Eu prometo continuar sendo exatamente quem eu sou.